
A convite da Federação Internacional de Diabetes, fiz duas palestras durante a 70ª Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aconteceu em Genebra, no fim do mês passado.
O painel principal foi focado no acesso a cuidados de saúde em populações vulneráveis no Brasil, na África do Sul e na Sérvia. O acesso aos cuidados em diabetes permanece inadequado nos três países, tornando-se a principal preocupação das pessoas que vivem com a condição.
Meu discurso no evento fez referência ao meu trabalho como coordenadora do Programa Nacional de Jovens e Adultos com Diabetes, projeto que reúne 30 representantes de associações brasileiras desse segmento. Nossa missão é melhorar o tratamento do cidadão com diabetes no país.
Pude expor o cenário e os desafios do Brasil nesse sentido. Estima-se que haja cerca de 16 milhões de pessoas com diabetes por aqui — somos a quarta nação em número de casos em todo o mundo. Cerca de 8 milhões de indivíduos, por sua vez, não sabem que têm a condição.
Também lembrei em minha apresentação que o acesso aos medicamentos é um dever do Estado brasileiro, que incorporou, entre seus princípios e diretrizes constitucionais, a garantia de cuidados terapêuticos abrangentes, incluindo serviços farmacêuticos no Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, o Brasil tem a RENAME, Lista de Medicamentos Essenciais, que o governo deve fornecer à população sem custos. Os brasileiros deveriam ter acesso gratuitamente aos medicamentos e suprimentos para o controle glicêmico mensalmente.
Mas a crise econômica perturbou totalmente esse sistema. As pessoas começaram a enviar mensagens via Facebook pedindo ajuda. Incentivamos, então, as associações para que pudessem falar com os secretários de saúde e conversar com a mídia local para pressionar os mesmos a resolver a falta de medicamentos e suprimentos.
Tivemos muitas conquistas. Ainda hoje, porém, há carência de produtos. Ressaltei, na sede da OMS, a importância de que as associações continuem a desempenhar esse papel de controle social.
Deixei claro que, se os fornecedores dos medicamentos e de insumos das secretarias não disponibilizarem esses produtos, a população terá mais complicações do diabetes e necessitará se hospitalizar, o que demandará mais investimento do governo. Alertei a OMS para que a entidade possa nos ajudar com a sensibilização do governo.
fonte:saude.com
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